“Não aceito papel de má. E boazinha é um apelido quase feio. Fico no meio termo. A virtude não me atrapalha e o improvável sempre me aceita.” Ju Fuzzeto
Não sei exatamente quando dei início a essa catástrofe, nada natural, que me tornei. Essa versão errada de garota certa, que derrapa em pista seca, de bicicleta e em alta velocidade. Não sei da onde veio essa mania de ser destemida, de seguir trilhas sozinha, me guiando por borboletas e pela vontade de chagar ao mar. Desprezei os professores da vida, que entraram nela com muita vontade de me ensinar. Quero mesmo é descobrir! Sem regras, objeções ou mapas. Se opnar sem eu pedir, aguente as consequências. Se apostar em mim e perder, não chore. Não faça o que eu peço, nem tenha medo da minha reação ao não fazer o que eu peço... Tenho desvaneios frequentes que me levam a fazer sempre o contrário, que me levam a chegar de manhã e ter resfriado. Com a transgressão de uma bandida, a intuição de uma ameba e os sentidos de um rato que é um experimento e nem sabe.
Sei que um dia terei de parar, parar e aceitar, que todo mundo precisa ter medo, todo mundo precisa de alguém, que ninguém é sozinho, carente e indeciso para sempre, e que eu também sou capaz de chorar. Parar de revolucionar minha vida uma ou duas vezes por semana, de reagir contra os ditadores que eu acho que existem. Porque se estou nessa cadeia ilusória, nesse cárcere privado, estou porque me permiti, porque sou violentada de idéias e pensamentos que transbordam o que não deveria nem estar cheio.
Se algo me assombra nessa vida, são essas milhares de teorias que me fazem acreditar que eu não tenho motivos para ser errada, que devo ser o oposto disso tudo que sou. - Tudo que sou? - Acredito que deve habitar em mim, alguma vontade de ser certa, devo até saber como se faz, mas me incomoda a idéia de não saber o que é errado. Ai errei, erro, errarei. A maioria das pessoas erram tendo como objetivo acertar, certo? Me resumo então, sem objetivos. Mas tentarei (não por mim).
E se um dia eu chegar a ser, de fato, certa, serei enfim, bipolar.
– Ully Stella

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ResponderExcluirUalll....adorei o texto , me vi em muitas e muitas linhas! Autora Ully, sobrenome:intensidade!
ResponderExcluirMto bom moça! :)